Há amor próprio, há amor pelo Criador e há o intermédio, que é o amor pelos outros. Através do amor pelos outros, nós chegamos ao amor pelo Criador. Este é o significado das palavras de Rabi Akiva, "Ama teu próximo como a ti mesmo é a grande regra da Torá."
Isso é como disse o Velho Hilel para o prosélito que disse para ele, "Ensina-me a Torá inteira enquanto estou apoiado em uma só perna." Ele lhe disse, "Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo. O resto é comentário, vai estudar." Isso assim é porque através do amor pelos outros a pessoa chega ao amor pelo Criador e então a Torá inteira e toda a sabedoria está dentro do seu coração.
(RABASH, "Amor próprio e Amor pelo Criador")
É sabido que é impossível chegar a amar o Criador antes da pessoa ser recompensada com o amor pelos outros, através de "Ama teu próximo como a ti mesmo," que Rabi Akiva disse ser a grande regra da Torá. Por outras palavras, se acostumando a si mesmo ao amor pelas pessoas, que é o amor pelos outros, a pessoa pode alcançar o grau de amor pelo Criador.
(RABASH, "Qualquer um Com Quem o Espírito do Povo Esteja Agradado - 2")
"Uma pessoa deve dizer: “o mundo foi criado para mim”" porque todas as pessoas no mundo são necessárias a uma pessoa, dado desenvolverem e qualificarem os atributos e as inclinações de cada indivíduo para se tornar um instrumento adequado para a Sua obra. Assim, devemos entender a essência do amor de Deus a partir das propriedades do amor pelo qual uma pessoa se relaciona com outra. O amor de Deus é determinado necessariamente por essas qualidades, pois só foram impressas nos humanos em Seu Nome, desde o começo.
(Baal HaSulam, Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, 68-69)
A base principal sobre a qual o edifício da santidade pode ser erguido é a regra de "Ama teu amigo." Com ela, a pessoa consegue adquirir a necessidade de doar contentamento ao Criador.
(RABASH, "Amor de Amigos")
Existem duas partes na Torá:
1. Mitzvot entre homem e Deus, e
2. Mitzvot entre homem e homem. E ambos eles se direccionam à mesma coisa – a trazer a criatura ao propósito final de Dvekut com Ele. Além do mais, até o lado prático ambos estes é verdadeiramente um e o mesmo, pois quando um executa uma acção Lishma, sem qualquer mistura de amor próprio, isto é sem encontrar qualquer beneficio para si mesmo, então um não sente qualquer diferença se um está a trabalhar para amar o seu amigo ou para amar o Criador.
(Baal HaSulam, "Matan Torá" (A Doação da Torá), 13)
Quando um completa o seu trabalho no amor e doar pelo seu semelhante e chega ao mais alto ponto, um também completa o seu amor e doar pelo Criador. Nesse estado não há diferença entre os dois, pois o que quer que seja que esteja fora do seu corpo, isto é pelo seu interesse pessoal é julgado igualmente - seja doar sob seu amigo ou doar contentamento sob o seu Fazedor. Isto é o que Hillel Hanasi assumiu, que "Ama teu amigo como a ti mesmo" é o derradeiro objectivo na prática. Isso é porque é a forma mais clara para a humanidade. Nós não nos devemos enganar com acções, pois elas são colocadas perante nossos olhos. Nós sabemos que se precedermos as necessidades dos nossos, isso é dar. Por essa razão Hillel não define o objectivo como "E tu amarás o Senhor com todo o teu coração e com toda tua alma e com todo teu poder," pois estes são certamente uma e a mesma coisa. Isso é porque um deve também amar o seu amigo com todo o seu coração e com toda a sua alma e com todo o seu poder, pois esse é significado das palavras "como a ti mesmo." Afinal de contas um se ama certamente a si mesmo com todo o seu coração e alma e poder, mas em respeito ao Criador, pode enganar-se a si mesmo; e com o seu amigo isso está sempre espalhado perante seus olhos.
(Baal HaSulam, "O Amor pelo Criador e Amor pelos Seres Criados")
O Criador nos deu mandamentos entre o homem e homem, pelos quais o homem se acostuma a trabalhar em favor do seu próximo. Com isso ele chega a um grau mais alto, de ter a capacidade de trabalhar também pelo Criador. Inversamente, embora a pessoa se engaje na Torá e Mitsvot, ela não se consegue se engajar pelo Criador.
Assim se sucede que se ela se engajar somente em Torá e não em praticar o bem, ela não pode trabalhar em prol de doar porque ela carece da qualidade de amor pelos outros. Assim se sucede que embora ela se engaje em Torá e Mitsvot, se isso não for pelo Criador, é como aquele que não tem Deus, pois se ele verdadeiramente tivesse a sensação da Divindade, ele certamente se engajaria em prol de doar. Mas se ele se tivesse envolvido em praticar o bem, então ele teria a qualidade de amor pelos outros, pela qual ele também chegaria a amar o Criador e teria a capacidade de observar Torá e Mitsvot pelo Criador.
(RABASH, Carta Nº 66)
Toda a antecipada recompensa do Criador e o propósito da criação inteira, são Dvekut[adesão] com o Criador, como em “Uma torre cheia abundantemente, mas sem convidados.” É isto o que aqueles que se apegam a Ele com amor recebem. Naturalmente, primeiro, um emerge do aprisionamento, que é emergir da pele do seu corpo pela doação sobre os outros. Subsequentemente, um chega ao palácio do rei, que é Dvekut com Ele através da intenção de doar contentamento sobre o seu fazedor. Deste modo, o grosso dos mandamentos são entre o homem e o homem. Aquele que dá preferência aos mandamentos entre o homem e Deus é como aquele que sobe ao segundo grau antes que tenha subido ao primeiro. Claramente, ele quebrará suas pernas.
(Baal HaSulam, "Os Escritos da Última Geração")
Nos foi dado o amor de amigos para aprendermos como evitar manchar a honra do Rei. Por outras palavras, se ele não tem outro desejo senão dar satisfação ao Rei, ele certamente manchará a honra do Rei, o que é chamado: "Passando Kedusha (santidade) para os externos". Por esta razão, não devemos subestimar a importância do trabalho no amor de amigos, pois através dele ele aprenderá a sair do amor-próprio e a entrar no caminho do amor dos outros. E quando ele completar o trabalho de amor de amigos, ele poderá ser recompensado com o amor do Criador.
(RABASH, "Vem ao Faraó - 2")
A pessoa deve ter o poder e força para superar suas qualidades, para as transformar para serem em favor dos outros, pois com isso ela mais tarde será recompensada com trabalhar com essas qualidades para o Criador. Pois assim que a pessoa foi corrigida nas suas qualidades para que possa trabalhar em favor dos outros, ela consegue trabalhar na questão da fé no Criador, pois então ela é digna de ser recompensada com fé, pois aí ela já tem equivalência de forma, chamada, "Apega-te a seus atributos," como em, "Tal como Ele é misericordioso, sê tu misericordioso."
(RABASH, Carta Nº 66)
Venha deixe-me mostrar-lhe que o amor pelos seus amigos se funde com o amor pelo Criador, pois a grandeza e obrigação de amar o amigo é pelo bem de amar o Criador, para se lembrar que a pessoa é feita na imagem e semelhança do superior e que a parte da alma no interior é uma parte de Deus no alto. Por essa razão, nós somos chamados a "assembleia de Israel," pois todos nos reunimos e nos unimos para preservar a Sua singularidade.
(O Sagrado Shlah, "Emendas do Portão das Letras," 2:1)