Artigo Nº 29, Tav-Shin-Nun-Alef, 1990/91
O Zohar diz (Emor, Item 38), “É um Mitsvá [mandamento/boa acção] que o sumo sacerdote case com uma virgem. Este é o sentido daquilo que está escrito, 'Uma viúva, ou uma divorciada, ou uma mulher profanada, ou uma prostituta, estas ele não tomará, mas uma virgem de seu próprio povo tomará ele como esposa.' Ele questiona, 'Por que é necessário tomar somente uma virgem, sem um defeito?' Ele responde, 'Uma mulher é uma taça de bênção. Se ela for provada, ela está maculada.' Isto insinua para Malchut, que é chamada 'uma taça de bênção' e o sacerdote, que oferece um sacrifício ante o Criador, deve ser perfeito e imaculado, dado que os defeitos maculam os sacerdotes. Perfeito no seu corpo, perfeito na sua Nukva, pela qual observar, 'Tu és toda bela, minha esposa e não há defeito em ti.'”
Nós devemos entender o que "um sumo sacerdote," uma "virgem," uma "viuva," uma "divorciada," uma "mulher profanada" e uma "prostituta" significam no trabalho e que ele só deve tomar a virgem, que é sem mácula, ou seja que a virgem é imaculada. O que implica que a virgem não tenha mácula nela e qual é a conexão, quando ele diz que a mulher insinua uma taça de bênção, que é Malchut?
O ARI diz sobre Malchut, que cada dia ela se torna virgem de novo (O Estudo das Dez Sefirot, Parte 12, Item 144), que é considerada somente um ponto e deve ser reconstruida até que ela obtenha Gadlut [grandeza/maturidade]. Está escrito em Shaar HaKavanot (Parte 2) que cada dia é separado e que "Não há uma única oração desde que o mundo foi criado até ao fim do mundo, que seja semelhante a outra ou o que for. E cada dia, novas centelhas são classificadas, que nunca foram classificadas até essa altura.”
Nós devemos entender isto no trabalho. Malchut é chamada o "reino dos céus," que o homem deve assumir sobre si mesmo cada dia de novo. Não é suficiente que ele assuma sobre si mesmo o reino dos céus ontem, mas em vez disso cada dia é um novo discernimento em si mesmo. Assim, devemos acreditar que cada vez que assumimos sobre nós o reino dos céus, isso é considerado que classificamos as centelhas que estavam fora de Kedushá [santidade], que é chamado (em Shaar HaKavanot) que "Estas centelhas anteriormente estavam cativas entre as Klipot [cascas/peles] e elas foram elevadas para Kedushá pela aceitação do reino dos céus e pelo engajamento em Torá e Mitsvot [mandamentos/boas acções].”
Isso é como nós dizemos na oração (Mestre do Mundo, depois da contagem do Omer,), "Com isto, grande abundância fluirá em todos os mundos." Por esta razão, se diz nos livros sagrados que a pessoa, aquando da aceitação do reino dos céus durante a leitura da Shemá, deve assumir sobre si mesma o reino dos céus e tencionar que a aceitação do reino dos céus seja com devoção. E uma vez que cada dia é um novo discernimento e nós devemos construir a Malchut para que ela esteja em Gadlut, cada vez ela é renovada.
É por isso que há a intimação sobre o sumo sacerdote. No trabalho, aquele que é servo do Criador, que se quer aproximar do Criador em Gadlut, é chamado "sumo sacerdote." Quando ele vem para tomar uma "esposa," chamada "reino dos céus," ele deve tomar uma "virgem," uma vez que uma virgem significa que ela não foi maculada. Uma virgem é como está escrito, "um solo virgem," que é apelido para a terra que nunca foi cultivada, como está escrito, "Era solo virgem," que o homem nunca lavrou (Avodá Zara32).
Por outras palavras, a pessoa deve assumir sobre si mesma o fardo do reino dos céus como se ela nunca tivesse tido o reino dos céus e isso fosse uma coisa nova para ela. Naturalmente, agora ela deve pensar que ela vai fazer algo de novo do qual nunca soube. Sucede-se que esta aceitação que ela aceita sobre si mesma requer escrutínio adicional,de saber o que é a aceitação do reino dos céus e o que é necessário para que o temor pelos céus esteja sobre ela.
Significa isto que a pessoa deve reflectir sobre o que ela deve fazer para que esta seja uma coisa perpétua para ela. Ou seja, o que requer o Criador da pessoa que assumiu sobre si mesma o fardo do reino dos céus. Diz o versículo, "O que o Senhor teu Deus requer de ti senão que Me temas" e reflectir o que é o temor. Mas se a pessoa deixa de se lembrar sobre a questão de aceitar o reino dos céus, independentemente da razão, ela não precisa de continuar a aceitação do reino dos céus sobre si mesma da maneira que ela aceitou antes de o perder e dizer, "Eu devo ir e despertar o reino dos céus," portanto para que seja contínuo. Em vez disso, ela deve começar o trabalho de novo.
Nós devemos comparar isto à pessoa que morreu e tinha coisas valiosas e seus filhos vêm e querem receber a herança que seu pai lhes legou. Nossos sábios sobre isso disseram (Avot, Capítulo 2:17), “Prepara-te para aprender Torá que não te foi legada." Devemos interpretar que se a pessoa chega a um estado em que ela esqueceu tudo, ou seja que ela sofreu uma descida, isso é como se ela estivesse morta. Ou seja, anteriormente, ela estava viva, portanto ela tinha o reino dos céus, que é considerado estar aderida à Vida das Vidas. Quando ele é interrompido nela, ela é considerada morta, como foi dito, "Os ímpios nas suas vidas são chamados de 'mortos'”.
Na espiritualidade, causa e consequência são chamados "pai e filho." Sucede-se que agora ela é chamada "um filho" e quer assumir sobre si mesma aquilo que sobrou após o falecimento do seu pai. Devemos interpretar que "isto não é tua herança." Em vez disso, a pessoa deve virar uma nova página no trabalho do Criador, como se ela agora tivesse nascido e agora ela quer assumir sobre si mesma o fardo do reino dos céus e não tem ninguém de quem o herdar.
Respectivamente, devemos interpretar aquilo que questionamos, O que é que o "sumo sacerdote" e "sacerdote" nos implicam no trabalho? Devemos interpretar que um "sacerdote" é aquele que serve ao Criador. Alguns trabalhadores pertencem ao público geral. Estes são chamados "sacerdotes." E alguns querem trabalhar na conduta do particular, para alcançar Gadlut, que é o trabalho em verdade. Estes são chamados "altos sacerdotes."
Entre os altos sacerdotes, há uma ordem completamente diferente de trabalho que aquela do público geral, quando a pessoa se engaja em Torá e Mitsvot na prática e confia no público geral no que diz respeito à intenção. Inversamente, há pessoas que querem trabalhar também com a intenção, ou seja que elas querem direccionar todas suas acções pelo bem do Criador.
Por outras palavras, um "sacerdote" significa que seu trabalho é na conduta do público geral e um "sumo sacerdote" significa que seu trabalho é na conduta do particular. Com isto podemos interpretar aquilo que diz o Zohar, "'Por que é necessário tomar somente uma virgem, sem um defeito?' Ele responde, 'Uma mulher é uma taça de bênção. Se ela for provada, ela está maculada.'" Devemos interpretar que um sumo sacerdote, ou seja aquele que quer ser um verdadeiro servo do Criador, não deve tomar uma esposa, ou seja um reino dos céus, que já tenha sido maculado nele, ou seja continuar o reino dos céus que ele já tinha antes da descida que mais tarde sofrera, pois isto já não é chamado de "uma virgem," dado que ele teve este reino dos céus anteriormente e ela ficou maculada.
Ou seja, ela é como a taça de bênção, "Se ela for provada, ela está maculada," ou seja que esta Malchut já foi provada antes de ele ter sofrido a descida. Este é o sentido de "Se ela for provada, ela está maculada," uma vez que ele já havia sofrido a descida. Sucede-se que ele já maculou esta Malchut, então ele deve assumir sobre si mesmo um novo reino dos céus comose nunca tivesse provado o sabor do reino dos céus e virar uma nova página no trabalho.
Segundo o citado, podemos interpretar aquilo que questionamos sobre o que está escrito, "Uma viúva, ou uma divorciada, ou uma mulher profanada, ou uma prostituta, estas ele não tomará." Devemos interpretar que uma viúva é que depois dele sofrer a descida, ele é considerado morto. Sucede-se que a esposa anterior, que é o reino dos céus que ele tinha antes da descida, é considerada a viúva da pessoa.
Similarmente, o que é uma divorciada no trabalho? Isso significa que ele se divorciou dela porque ele não gostou dela, dado que no minuto que a pessoa não concorda trabalhar para ela, uma vez que não sente a sua importância, isso é considerado que o homem se divorcia da esposa. Embora ela não queira se divorciar, dado que ela tem misericórdia dele, ou seja Malchut vê que ele está imerso em amor próprio e tem pena dele, mas ela se divorcia dele contra sua própria vontade.
Este é o sentido do julgamento ser que a mulher é divorciada contra sua própria vontade, uma vez que assim que ele não gosta dela, isso é considerado que ela se divorciou dele. Portanto, o servo do Criador, que é chamado "sumo sacerdote," não vai regressar e tomar uma mulher que é divorciada. Em vez disso, agora ele deve começar a aceitar o fardo do reino dos céus de novo e não tomar em consideração aquilo que aconteceu.
Também, devemos interpretar "profano," que ele não deve tomar uma mulher profanada. Quando a pessoa desperta de novo para o trabalho do Criador, se for na conduta de sumo sacerdote, isso significa que ela quer trabalhar sobre a grandeza do Criador. Ou seja, é sabido que quando a pessoa trabalha em prol de receber recompensa pelo seu trabalho, ela não olha para quem ela está a dar, se é uma pessoa importante ou não. Em vez disso, ela olha para a recompensa. Isto significa que se o dono for uma pessoa simples mas pagar a dobrar tanto quanto a pessoa importante que tem certa fábrica e paga salários, ela certamente vai trabalhar para aquela que pagar rendimentos mais altos.
Mas se a pessoa trabalhar sem salário, mas porque ela quer servir uma pessoa importante, essa pessoa sempre olha para ver quem é a mais importante e quer trabalhar para ela. Sucede-se que aquele que ela quer trabalhar em Gadlut, ou seja que seu trabalho seja construído sobre a grandeza do Criador, uma vez que ela quer trabalhar sem recompensa, ela é chamada "sumo sacerdote," dado que o sacerdote é aquele que serve ao Criador, que quer se aproximar do Criador. Isso é como interpretamos no versículo, "Caso um homem de entre vós fizer uma oferenda ao Senhor." É interpretado que "de entre vós" significa que a oferenda é "de dentro de vós, vós mesmos," ou seja que a pessoa que se oferece a si mesma ao Criador é chamada "sumo sacerdote."
Essa pessoa não deve tomar a mulher profanada. Significa isto que o que quando quer que ele venha para tomar uma esposa, ele sempre tomará uma virgem, aquela que nunca teve marido, ou seja que ele nunca usou esta Malchut. Em vez disso, deve sempre ser uma nova esposa. Inversamente, se ele já usou esta Malchut antes da descida e tenha interrompido a aceitação do reino dos céus, isto é porque ele a profanou e não se comportou com ela como a pessoa deve honrar ao reino dos céus e lidou com ela com desdém. Assim, ele não receberá este discernimento novamente, dado que ele já a corrompeu.
Em vez disso, o sumo sacerdote sempre deve tomar a mulher virgem, ou seja descrever para si mesmo que agora ele começa a fazer o trabalho sagrado e que aquilo que ele tinha até agora não lhe interessa. Em vez disso, ele espera que doravante, ele a preserve e a respeite. Este é o sentido das palavras "Ele tomará uma esposa na sua virgindade."
Também devemos interpretar aquilo que está escrito, "Uma viúva, ou uma divorciada, ou uma mulher profanada, ou uma prostituta, estas ele não tomará, mas uma virgem de seu próprio povo tomará ele como esposa." Devemos interpretar o que é uma prostituta no trabalho. A questão é que quando o sumo sacerdote quer assumir o fardo do reino dos céus, ele deve tomar uma virgem, ou seja "solo virgem," que é o apelido para uma terra que nunca foi cultivada. Naturalmente, não é esperado que tal solo produza colheitas para alimentação. Isto significa que a pessoa não se pode sustentar a si mesma com este solo. Somente depois dela o cultivar e lhe dar tudo aquilo que ele precisa, será ela capaz de se sustentar desse solo e não antes.
Sucede-se que quando a pessoa aceita o fardo do reino dos céus, que é chamado de "uma esposa," ela deve ser cuidadosa para não querer que a mulher seja uma Zoná [prostituta], das palavras Zan uMefarness[amamentar e sustentar]. Ou seja, se a aceitação do fardo do reino dos céus a sustentar, ou seja que ela receba alimentos dela enquanto se engaja na Torá e Mitsvot, então ela está disposta a tomá-la. Inversamente, ela não concordará em tomar essa mulher e isto é chamado "uma mulher prostituta" no trabalho.
Em vez disso, ela deve aceitar o reino dos céus como um fardo, ou seja "como um boi para o fardo e como um burro para a carga," incondicionalmente. Isto é considerado uma "mulher virgem," que é "solo virgem," que não dá fruto. Se a pessoa concordar com estas condições, ela será recompensada com ser o sumo sacerdote, nomeadamente se aproximar do Criador.
Segundo o citado, devemos interpretar o que disseram nossos sábios (Kidushin 70a), no trabalho: "Qualquer um que case com uma mulher por riqueza tem filhos indignos, como foi dito, 'Eles traíram o Senhor, pois tiveram filhos estrangeiros.'" Devemos entender o que é casar com uma mulher por riqueza. Isso significa que a mulher, no trabalho, é chamada "reino dos céus" e ele assume sobre si mesmo o fardo do reino dos céus porque escutou que ela tem grande riqueza e riqueza significa que ela o pode sustentar, ou seja que através do reino dos céus, ele terá um bom sabor na Torá e na oração. Inversamente, não é suficiente para ele para continuar no mesmo caminho que ele recebeu por educação.
E por que é que agora ele precisa de assumir sobre si o fardo do reino dos céus e se esforçar, se o reino dos céus não acrescenta aos seus mantimentos, para que se possa sustentar com maior afluência, enquanto que aquilo que agora o sustenta, todos os alimentos que ele no presente encontra nos prazeres deste mundo e não o satisfazem, então ele quer receber o reino dos céus?
Isto é chamado "casar com uma mulher por riqueza," ou seja que sua única razão para aceitar o reino dos céus é para satisfazer o amor próprio. Isto é também chamado que ele se casa com uma mulher indigna, dado que está escrito em todos os livros sagrados que a aceitação do reinos dos céus deve ser em devoção e há muitas interpretações sobre isso.
Segundo aquilo que aprendemos, o sentido é que ele aceita o reino dos céus pelo bem do Criador e não pelo seu próprio bem. Significa isto que assumindo sobre si mesmo o reino dos céus, ele quer que Seu grande nome cresça e seja santificado e não pelo seu próprio bem. Sucede-se que se ele aceitar o reino dos céus pelo seu próprio bem, isso é considerado uma "mulher indigna." Isto é chamado "por riqueza," uma vez que "riqueza" significa que disto ele será capaz de se sustentar, ou seja que através da riqueza, ele ficará satisfeito na vida. Em vez disso, a pessoa deve tentar tomar uma mulher pelo bem do Criador, ou seja que o reino dos céus, chamado "mulher," será pelo bem do Criador e não pelo seu próprio bem.
Agora podemos entender por que a pessoa deve aceitar a fé acima da razão. Isto assim é porque habitualmente, a pessoa sempre considera o lucro. Se ela não vir que vai ganhar alguma coisa do trabalho, ela escolhe ficar em repouso e não quer fazer quaisquer movimentos a menos que ganhe alguma coisa.
Assim, quando é dito à pessoa que ela deve aceitar o reino dos céus pelo bem do Criador, ou seja para santificar o Seu nome, o corpo questiona, "O que vou eu ganhar de assumir sobre mim o reino dos céus? Qual é o meu ganho nisto?" Se diz, "Não há palavras que o corpo consiga entender. Em vez disso, tu deves acreditar que é uma grande coisa para ti que tenhas o privilégio de servir ao Rei." Isto é chamado "acima da razão," dado que não há palavras para dizer ao corpo para que ele consiga entender que é vantajoso.
Portanto, quando a pessoa não vê os lucros dentro da razão, isso é considerado que o trabalho é maior que a recompensa, uma vez que ela não sabe qual é a recompensa, mas vê o trabalho e portanto não precisa de acreditar em relação ao trabalho. Portanto, enquanto a pessoa não for recompensada com o temor pelo Criador, ela sempre olha para o trabalho, dado que ela não consegue entender o benefício do trabalho, mas somente acreditar acima da razão. Assim, este trabalho é chamado "trabalho duro" e requer misericórdia dos céus.
Com isto podemos entender o que está escrito (Deuteronómio 25:18), "estando tu cansado e afadigado; e não temeste a Deus.” Significa que uma vez que ele vê que está a fazer o esforço, mas ainda não vê o benefício deste trabalho e somente deve acreditar. Sucede-se que a pessoa fica cansada e afadigada e tudo porque ela ainda não foi recompensada com o temor por Deus.
A pessoa deve saber que a fé é o Kli [vaso]. Quando o Kli é completado adequadamente e é digno de receber, a abundância imediatamente preenche o Kli da fé, que é acima da razão. A abundância é chamada "temor pelos céus" e a pessoa obtém esta luz depois dela ter fornecido este Kli, chamado "fé acima da razão." Antes que a pessoa seja recompensada com o temor pelo Criador, ela sofre do trabalho porque a luz não brilha para ela.
Sucede-se que a pessoa que quer assumir o fardo do reino dos céus deve trabalhar acima da razão, ou seja que isso não será pelo seu próprio bem mas pelo bem do Criador. Isto é chamado "acima da razão," dado que o corpo não concorda com isso, uma vez que ele não entende coisa alguma senão aquilo que é para seu próprio benefício.
Agora podemos interpretar aquilo que disseram nossos sábios, "Não há público pobre." É sabido que "pobre" significa aquele que é "pobre em conhecimento", como disseram nossos sábios (Nedarim 41), "Não há pobreza senão no conhecimento." Disse Baal HaSulam que Malchut é chamada "público." Com isto devemos interpretar que "Não há público pobre" significando que aquele que aceita o fardo do reino dos céus acima da razão, isso não significa que ele não tenha razão e que seja pobre e que é por isto que ele aceita o fardo do reino dos céus. É ao contrário, ele se encontra num grau que está acima da razão, ou seja ainda mais importante que na razão. No trabalho, "acima" e "abaixo" significam que "acima" significa ser de importância superior e "abaixo" significa de importância inferior.
"Não há público pobre" significa que aquele que assume sobre si o reino dos céus acima da razão não é considerado "pobre," ou seja aquele que não tem razão. Sucede-se que o cerne do trabalho é avançar acima da razão, dado que quando a pessoa quer trabalhar pelo bem do Criador, isso é chamado "acima da razão," nomeadamente contra a visão do corpo. Porém, a pessoa deve saber que nós também precisamos da Torá, como disseram nossos sábios, "Eu criei a inclinação do mal, Eu criei a Torá como tempero."
É por isso que ele escreve no livro Fruto de Um Sábio (Cartas, pp 115-116), “O propósito da alma quando ela entra no corpo é de alcançar o retorno para sua raiz e se apegar a Ele, enquanto está vestida no corpo, como está escrito, 'Para amar o Senhor teu Deus, para caminhar em todos Seus caminhos, para preservar Seus mandamentos e para se apegar a Ele.' Todavia, quem conhece os caminhos do Criador? Certamente, este é o sentido de 'Torá que tem 613 caminhos.' Aquele que por eles caminha finalmente será purificado até que seu corpo não mais seja uma partição de ferro entre ele e eu Fazedor, como está escrito, 'E Eu vou retirar o coração de pedra da vossa carne.' Então se apegará ele ao seu Fazedor. Portanto, é melhor desejar o mandamento do Superior (ou seja da Torá), pois 'Aquele que não conhece os caminhos do Superior e os mandamentos do Superior, que são os segredos da Torá, como O vai servir ele?'"
Portanto vemos que a pessoa deve tentar se esforçar para obter a Torá. Em prol de obter a Torá, a pessoa deve aceitar o reino dos céus acima da razão. Ou seja, contra sua própria visão, portanto que para si, ela de nada precisa, mas somente pelo bem do Criador. Com isto devemos interpretar o que está escrito (Génesis 28:14), "E teus descendentes serão como a poeira da terra." "Teus descendentes" significa Banim [filhos]. No trabalho, Banim significam Havaná [entendimento] na Torá e Mitsvot. O Criador prometeu a Jacob que o entendimento na Torá e Mitsvot pode ser somente obtido quando a pessoa concordar ser "como poeira da terra," ou seja que ela concorda observar Torá e Mitsvot até se ela não sentir qualquer sensação nisso e provar somente o sabor da poeira na Torá e Mitsvot, uma vez que ela diz, "Eu trabalho pelo Criador. Se Ele quer que eu trabalhe para Ele desta maneira, eu concordo." Depois ela é recompensada com Gadlut [grandeza] e entendimento.